sexta-feira, 9 de junho de 2017

6:10

O relógio programado pras 6:10 da matina.
Todos.
Os.
Dias.

(menos aos finais de semana; agradecida.)

Lá pelas 5 aquela vontade de fazer xixi. Suspiro.
Gatos circulam pela casa com o abrir leve de portas.
Cabeça no corredor. Espia! Ouve!
Ainda dormem? Sim! Roncos suaves ouvidos por detrás da frente da porta deles. Colorida. Letras. Um stormtrooper. Yoga.
Espia! Ouve!
5:17
Xixi no silêncio. Gato no banheiro.
Pé que sente o chão do dia novo. Gelado. Outono.
Cama. Quase uma hora pra enrolar ainda.
Sentir o calor do recém à revelia abandonado colchão.
Ouvir o suspiro dos braços que, dormentes e dormindo, me procuram pela cama.
- Tudo bem? Ele, rouco de sono.
- Sim. Shhhh, dorme.
- Hm.
Engata um sono leve.
Quase uma hora pra enrolar ainda.
5:55
Não dormi, não vi o tempo passar.
Quase uma hora pra enrolar ainda.
Não! Quase hora de levantar. Logo o despertador toca.

MAMÃE, PAPAI, ABRE A PORTA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11111111

E batem.
Chamam.
Avisam a casa que o despertador deles já tocou.
Os dois. Em pé, na porta do quarto que não é colorida. Que não tem letras nem um stormtrooper. Sem yoga.
6:07
Aquela dorzinha proletária de acordar antes do despertador.

E aquela onda de amor que bate quando as vozes deles me despertam.

6:10

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

'til I'm old and gray







All I'm asking of you
Let me be the one to
Carry you
I'll carry you home
Til I'm old and gray.




quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Memória


_Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão._

With love to F., who never sleeps.



Sleep