domingo, 4 de dezembro de 2016
domingo, 23 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
sábado, 24 de setembro de 2016
_está tudo bem, tudo normal, nada acontecendo
VIRGE!
- Falaí 15 frases polêmicas sobre ti!
Suei frio e aceitei o desafio.
Sei lá se são polêmicas; pra mim são causantes.
1. Prefiro ler do que sair.
2. Pink Floyd é só legal, não é do caralho. E Stairway to heaven é uma das músicas mais chatas do universo [não é do Pink Floyd, mas enfim, só aproveitando o eixo de bandas/músicas superestimadas].
3. "O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe." VALEU ROUSSEAU <3
4. Ukulelê é um dos instrumentos mais bonitos do mundo [só perde pro piano].
5. Bota uva passa em tudo SIM <3
6. Me sinto meio abandonada por ser mãe solo - mas na real a minha introversão tem muito a ver com o sentimento de abandono, enfim.
7. Adoro crianças. Muito mesmo. Fiz uma [não sozinha], dedico 10 horas do meu tempo diário com crianças que não são minhas mas sinto como se fossem e amo muito as criança, as coisa que nóis fais, as yoga que eu pratico com elas e até os nervoso que elas me faz passá <3
8. Filme/série/livro bad: AMO/SOU [tipo Breaking Bad, Fury, O sofrimento do jovem Werther blá blá blá].
9. Eu queria fazer química. Ainda bem que não fiz.
10. Tenho medo que meu filho vire um idiota.
11. Aprendi um monte sobre as fobias antigas do mundo moderno (gordofobia, bifobia, homofobia, transfobia...) depois que virei mãe. Aliás, a maternidade me trouxe uma amplitude de visão e uma tomada de consciência que eu JAMAIS imaginaria que fosse possível. Mas mesmo aprendendo um monte ainda percebo que falta muito a saber, falta muito a praticar, falta muito a entender [falando sobre mim]; e esses conceitos todos, aprendidos em teoria, são catalizadores [pra mim, de novo] da cura dessa doença social - que é o não enxergar ao outro como um igual [apesar de sermos muito diferentes - DEU NÓ, SANTO DAIME].
12. Falo "santo daime" como interjeição mas nunca tomei. Nem tô a fim. Aya is not my type.
13. Gosto de cantar, desenhar, escrever, tipografar, yogar, meditar, tocar uke, brincar com as crianças, trepar - e não quero ganhar dinheiro com isso.
14. Quero aprender todos os idiomas do mundo, mas esperanto é uma viagem sem fim.
15. FORA TEMER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111111111111111111111
2. Pink Floyd é só legal, não é do caralho. E Stairway to heaven é uma das músicas mais chatas do universo [não é do Pink Floyd, mas enfim, só aproveitando o eixo de bandas/músicas superestimadas].
3. "O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe." VALEU ROUSSEAU <3
4. Ukulelê é um dos instrumentos mais bonitos do mundo [só perde pro piano].
5. Bota uva passa em tudo SIM <3
6. Me sinto meio abandonada por ser mãe solo - mas na real a minha introversão tem muito a ver com o sentimento de abandono, enfim.
7. Adoro crianças. Muito mesmo. Fiz uma [não sozinha], dedico 10 horas do meu tempo diário com crianças que não são minhas mas sinto como se fossem e amo muito as criança, as coisa que nóis fais, as yoga que eu pratico com elas e até os nervoso que elas me faz passá <3
8. Filme/série/livro bad: AMO/SOU [tipo Breaking Bad, Fury, O sofrimento do jovem Werther blá blá blá].
9. Eu queria fazer química. Ainda bem que não fiz.
10. Tenho medo que meu filho vire um idiota.
11. Aprendi um monte sobre as fobias antigas do mundo moderno (gordofobia, bifobia, homofobia, transfobia...) depois que virei mãe. Aliás, a maternidade me trouxe uma amplitude de visão e uma tomada de consciência que eu JAMAIS imaginaria que fosse possível. Mas mesmo aprendendo um monte ainda percebo que falta muito a saber, falta muito a praticar, falta muito a entender [falando sobre mim]; e esses conceitos todos, aprendidos em teoria, são catalizadores [pra mim, de novo] da cura dessa doença social - que é o não enxergar ao outro como um igual [apesar de sermos muito diferentes - DEU NÓ, SANTO DAIME].
12. Falo "santo daime" como interjeição mas nunca tomei. Nem tô a fim. Aya is not my type.
13. Gosto de cantar, desenhar, escrever, tipografar, yogar, meditar, tocar uke, brincar com as crianças, trepar - e não quero ganhar dinheiro com isso.
14. Quero aprender todos os idiomas do mundo, mas esperanto é uma viagem sem fim.
15. FORA TEMER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111111111111111111111
terça-feira, 20 de setembro de 2016
_diz que é sincronicidade
Acho minimamente complicado pegar uma frase de um camarada conhecidão como o Paulo Freire e transformar a fala dele em citação assim, no meio do caos particular de nossas vidas, pra que todo e qualquer ser vivente possa encaixar o que foi dito em um contexto que, se pá, nem era o que o Paulo tava pensando quando falou a frase em questão.
Acho minimamente complicado fazer isso com qualquer coisa, na real (música, poema, filme, frase dx amiguinhx, etc - mas confesso e deixo bem claro que faço isso sempre, rs). Enfim, só pensando baixo aqui.
Acho minimamente complicado fazer isso com qualquer coisa, na real (música, poema, filme, frase dx amiguinhx, etc - mas confesso e deixo bem claro que faço isso sempre, rs). Enfim, só pensando baixo aqui.
Daí que no banho [que eu acabei de tomar] eu tava pensando que: I used to be more treteira.
Eu tretava mêmo.
Eu andava de bike. Muito. Amo/sou/propago/acredito piamente na ideia social de transformação e mudança que a bicicleta traz consigo. Eu pedalava e tretava, ou debatia, ou discutia, ou conversava, vez ou outra era bike anjo de alguém, fazia alguém pensar a bicicleta com mais ou menos amor blá blá. Discussão criadora, Paulo Freire talvez dissesse. Mas aí, ó, tá um recorte de uma situação em que a frase do Paulo se encaixa, mas não nasceu para. Mas se encaixa. Tá.
Eu tretava mêmo.
Eu andava de bike. Muito. Amo/sou/propago/acredito piamente na ideia social de transformação e mudança que a bicicleta traz consigo. Eu pedalava e tretava, ou debatia, ou discutia, ou conversava, vez ou outra era bike anjo de alguém, fazia alguém pensar a bicicleta com mais ou menos amor blá blá. Discussão criadora, Paulo Freire talvez dissesse. Mas aí, ó, tá um recorte de uma situação em que a frase do Paulo se encaixa, mas não nasceu para. Mas se encaixa. Tá.
Aí
Foi
Ficando
Cada
Vez
Mais
Foda.
Foi
Ficando
Cada
Vez
Mais
Foda.
Tretas mil surgindo. Escolhi algumas pra comprar; paguei caro por certas umas [ou seriam erradas?]. Outras foram baratinhas, outras nem valeram a pena.
Aí
Eu
Fui
Cansando.
Eu
Fui
Cansando.
Com moleque pequeno, gato, cachorro, minhoca, como reincidente forasteira d'uma cidade que não é a minha, eu fui cansando.
E o conceito de discussão criadora foi amornando.
E o conceito de discussão criadora foi amornando.
"Sob pena de ser uma farsa."
VISH, MALUCO.
La farsa soy yo.
A análise da realidade - beleza, é a educação (ou um reflexo dela, ou de onde ela surge, ou como ela inicia all the tretas); mas pode também se encaixar em qualquer coisa que a gente faça/queira fazer porque né, desfazer o que já se fez, certo ou errado, é impossível.
Educação.
Tô dormindo com Paulo Freire, vou contar.
Levando pra cama toda a "Educação e Mudança" posta em letra uns tempos atrás. Altas madrugadas em que ele me conta umas coisas que, gente, sério, seriam lindas se postas em prática - em contexto global, pensemos grande.
Tô dormindo com Paulo Freire, vou contar.
Levando pra cama toda a "Educação e Mudança" posta em letra uns tempos atrás. Altas madrugadas em que ele me conta umas coisas que, gente, sério, seriam lindas se postas em prática - em contexto global, pensemos grande.
Aí lembro das tretas.
Das que eu deixei numa caixinha e abandonei na rua e das que eu levo comigo meio escondidas dentro do casaco.
Das que eu deixei numa caixinha e abandonei na rua e das que eu levo comigo meio escondidas dentro do casaco.
Eu era treteira.
Eu militava mais.
Eu militava mais.
Mas esse amor nos tempos do cólera, de presidentes interinos e de marchas pela ~família tradicional brasileira~, de amigxs levando gás lacrimogêneo na cara por lutar por um Brasilzão mais legal pro meu mulek lek tem me deixado bem cansada.
Bate aquele lance da idade: ~quase 30, não é agora que muda~;
Bate aquele lance do tempo: ~ahhhhhhhhh, mas quando ele tiver 18 anos não vai ser assim, vai ser pior, coitado; como sou burra, botei um ser no mundo pra viver essa merda toda, VSF EU~;
Bate aquele lance de pensar local: ~começa no filho, aos poucos ele muda o mundo todo [o dele, pelo menos]~;
Bate aquele lance de tretar no FB e fora dele: ~foda-se essa porra toda: eu vou gritar e tretar e NÃO VAI SUBIR NINGUÉM, [aí, ó, Capitão Nascimento feelings, citado num contexto nada a ver hahaha]~.
Bate aquele lance do tempo: ~ahhhhhhhhh, mas quando ele tiver 18 anos não vai ser assim, vai ser pior, coitado; como sou burra, botei um ser no mundo pra viver essa merda toda, VSF EU~;
Bate aquele lance de pensar local: ~começa no filho, aos poucos ele muda o mundo todo [o dele, pelo menos]~;
Bate aquele lance de tretar no FB e fora dele: ~foda-se essa porra toda: eu vou gritar e tretar e NÃO VAI SUBIR NINGUÉM, [aí, ó, Capitão Nascimento feelings, citado num contexto nada a ver hahaha]~.
Enfim.
Texto metatreta, do nada a lugar algum.
Texto metatreta, do nada a lugar algum.
Mas Paulo Freire é legal.
Citações são legais.
Tretas também.
Citações são legais.
Tretas também.
sábado, 17 de setembro de 2016
_do manifesto lunático
- - -
Eu sempre vi o coelho na lua.
Sempre.
Desde criança miúda que admirava o céu fumacento de São Paulo.
Sempre.
Desde criança miúda que admirava o céu fumacento de São Paulo.
Céu observado, no início, com minucioso cuidado pra não perder a chegada de toda e qualquer nave que Mulder (a verdade está lá fora, eu quero acreditar) esperava a qualquer momento; era bom estar preparado - nem sempre eles seriam legais conosco.
Medo, curiosidade, transbordamento - olhos lançados ao firmamento.
Um círculo gigante - bruma leve de uma paixão que vem de dentro; aquela luz, aquele coelho.
Um círculo gigante - bruma leve de uma paixão que vem de dentro; aquela luz, aquele coelho.
O coelho.
Coisas, causas, lugares, alguéns; igual a coelho desde sempre.
De mel,
de leite,
de fel,
de sangue;
vi o coelho de todas elas.
de leite,
de fel,
de sangue;
vi o coelho de todas elas.
As luas.
- - -
Saímos pra fitar a lua;
ele disse: "a moon, mamãe!". <3
Super lentes, trepar na escada, 20 de julho de 69, um olho no telescópio e outro no piá que corria lunaticamente.
Por ela, que lambe mares, marés e humores, deito amores;
ela, ali pertinho, ali dentro dos olhos, ali nas minhas costas.
- e o coelho.
ele disse: "a moon, mamãe!". <3
Super lentes, trepar na escada, 20 de julho de 69, um olho no telescópio e outro no piá que corria lunaticamente.
Por ela, que lambe mares, marés e humores, deito amores;
ela, ali pertinho, ali dentro dos olhos, ali nas minhas costas.
- e o coelho.
Senti o cheiro de cravo e gengibre; lembrei do cheiro do almoço feito no dia, a pimenta na jugular; coisas, causas, lugares, alguém; igual a coelho hoje.
- - -
Manifesto: gênero textual que consiste em chatice.
Para mim, entenda e leia-se.
Gênero com nome interessante, porém.
Para mim, clemência!, releia-se.
Para mim, entenda e leia-se.
Gênero com nome interessante, porém.
Para mim, clemência!, releia-se.
- - -
~Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. ~ (Andrade, o Oswald de.)
- - -
Corra e olhe o céu!
- - -
domingo, 4 de setembro de 2016
something
Something in the way he moves attracts me like no other lover; something in the way he woos me... I don't wanna leave him now - he knows I believe and how.
(with love to F.)
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
da prepotência;
D'um crime:
folha arrancada de um livro me enfeita a parede da passagem das horas de minha morada;
Pra que eu não me esqueça em momento algum de minha prepotência;
Pra que eu não me esqueça em momento algum das pessoas generosas à minha volta;
Dentro da estratégia de luz do sol que bate ali nas primeiras horas da manhã raiada existe uma doce morte todos os dias - o lembrar e esquecer de toda a noite que já foi;
E o pisar vacilante de quem, prepotente, avança pelo dia.
Pra que eu não me esqueça em momento algum de minha prepotência;
Pra que eu não me esqueça em momento algum das pessoas generosas à minha volta;
Dentro da estratégia de luz do sol que bate ali nas primeiras horas da manhã raiada existe uma doce morte todos os dias - o lembrar e esquecer de toda a noite que já foi;
E o pisar vacilante de quem, prepotente, avança pelo dia.
(Agradeço imensamente pela generosidade da Débora. A Queiroz, de voz forte, que salva noites.)
(Ao Heyk Pimenta: onde quer que estejas, grata por abençoar minha prepotência; além de pedir clemência pelo crime cometido.)
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
mas
#dacompostagem
Pras minhocas, proteção, balanço no sistema, comida.
Pra ele, uma caça sem fim à folha mais vermelha de todas.
Passa um carro devagar.
- Moça, desculpa a pergunta, mas o que vocês estão fazendo? Perderam alguma coisa?
De quase 1 metro do chão vem a resposta:
- A folha mais red pra minhoca!
Conversa que engata:
Minhocasa
Folhas secas
Uau, que interessante
Super fácil de fazer
Mas eu moro em apartamento
Não tem problema
Mas e o cheiro que fica
Fica cheiro de terra molhada depois da chuva
Mas não enche de bicho
Enche se não cuidar
Mas meu cachorro come terra
Super fácil de fazer
Uau, que interessante
Folhas secas
Minhocasa
Vou pesquisar
Até
Até
E aprendi que a gente precisa tirar o ~mas~ das nossas falas.
Não sempre, talvez.
Conjunção, designativa de oposição;
Defeito, senão;
Dificuldade, obstáculo;
Substantivo, advérbio - indica reforço ou ênfase.
Mas morar em apartamento
Mas o cheiro que fica - de terra molhada depois da chuva
Mas o não encher de bicho - além das minhocas e dxs amigxs delas
Mas o cachorro que come terra
Cansadamente o obstáculo se fez.
Cansadamente a gente procura por ~mas~.
O que importa é que hoje ele achou a folha mais red de todas.
Pras minhocas, proteção, balanço no sistema, comida.
Pra ele, uma caça sem fim à folha mais vermelha de todas.
Passa um carro devagar.
- Moça, desculpa a pergunta, mas o que vocês estão fazendo? Perderam alguma coisa?
De quase 1 metro do chão vem a resposta:
- A folha mais red pra minhoca!
Conversa que engata:
Minhocasa
Folhas secas
Uau, que interessante
Super fácil de fazer
Mas eu moro em apartamento
Não tem problema
Mas e o cheiro que fica
Fica cheiro de terra molhada depois da chuva
Mas não enche de bicho
Enche se não cuidar
Mas meu cachorro come terra
Super fácil de fazer
Uau, que interessante
Folhas secas
Minhocasa
Vou pesquisar
Até
Até
E aprendi que a gente precisa tirar o ~mas~ das nossas falas.
Não sempre, talvez.
Conjunção, designativa de oposição;
Defeito, senão;
Dificuldade, obstáculo;
Substantivo, advérbio - indica reforço ou ênfase.
Mas morar em apartamento
Mas o cheiro que fica - de terra molhada depois da chuva
Mas o não encher de bicho - além das minhocas e dxs amigxs delas
Mas o cachorro que come terra
Cansadamente o obstáculo se fez.
Cansadamente a gente procura por ~mas~.
O que importa é que hoje ele achou a folha mais red de todas.
domingo, 7 de agosto de 2016
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Rescue
As pessoas.
Ah, as pessoas.
Ah, as pessoas.
Daniel é fã de caminhões. De todos eles.
Aprendi um tanto sobre caminhões e as diferenças entre eles.
Entre os favoritos, estão o caminhão de bombeiros e o betoneira.
Ele canta músicas sobre eles, conta histórias. Muito fã.
Aprendi um tanto sobre caminhões e as diferenças entre eles.
Entre os favoritos, estão o caminhão de bombeiros e o betoneira.
Ele canta músicas sobre eles, conta histórias. Muito fã.
Centro, São Carlos. Loja de quinquilharias.
Um caminhãozinho de bombeiros logo na entrada. Baratinho, comprei.
Uma criança feliz com um brinquedo de plástico porcaria.
Um caminhãozinho de bombeiros logo na entrada. Baratinho, comprei.
Uma criança feliz com um brinquedo de plástico porcaria.
Pensamentos acerca disso.
Ele lá, na trip do caminhão.
Eu nem tão lá, na trip do quanto custa ser feliz.
~não há caminho para a felicidade, felicidade é o caminho~ e essas porra toda.
Ele lá, na trip do caminhão.
Eu nem tão lá, na trip do quanto custa ser feliz.
~não há caminho para a felicidade, felicidade é o caminho~ e essas porra toda.
As pessoas.
Ah, as pessoas.
Ah, as pessoas.
Ser respirante aleatório surge:
-QUE LEGAL SEU CAMINHÃO, DÁ ELE PRA MIM?
-QUE LEGAL SEU CAMINHÃO, DÁ ELE PRA MIM?
Eu quis chorar.
Daniel chorou de fato depois de um sonoro NÃO nas barbas do indivíduo.
Chilicou.
Daniel chorou de fato depois de um sonoro NÃO nas barbas do indivíduo.
Chilicou.
- It's Daniel's toy! IT'S DANIEL'S!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111111 é MEU, mamãe, é meu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11111111111111111
O ser vivente, em choque, sai de perto. Vai embora caminhando numa boa, no melhor estilo ~fodeu; vazei~.
Eu não tinha como sair de perto. Abaixo pra acalmar Daniel no melhor estilo ~fodeu; fiquei~.
Eu não tinha como sair de perto. Abaixo pra acalmar Daniel no melhor estilo ~fodeu; fiquei~.
- É seu, ninguém vai pegar, fica sussa. Tá tudo bem, vamos embora.
(abraço, beijo, soluço, nariz escorrendo, etc.)
Ônibus, sacolejo.
O cobrador:
- Uau, alemão! Que caminhão bonito!!! (...)
O cobrador:
- Uau, alemão! Que caminhão bonito!!! (...)
Antes de qualquer coisa eu interrompi o lance.
CNV mandou beijos doces e gentis.
Chilique recém resolvido, moleque nem tinha conseguido curtir o plástico porcaria direito.
CNV mandou beijos doces e gentis.
Chilique recém resolvido, moleque nem tinha conseguido curtir o plástico porcaria direito.
- MOÇO, CÊ TEM TROCO PRA VINTE? PORQUE EU VOU DESCER LOGO ALI NA FRENTE E NÃO TENHO TROCADO. CÊ TEM? TÁ CALOR HOJE, NÉ? NOSSA, QUE TEMPO MALUCO.
Ele tinha troco pra vinte.
Disse ainda que hoje à tarde chove.
Disse ainda que hoje à tarde chove.
Pelo menos não pediu um caminhão de bombeiros.
E eu ainda saí com a previsão do dia.
E eu ainda saí com a previsão do dia.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Da quebra:
foi o terceiro copo essa semana.
E hoje ainda é quinta.
O primeiro na segunda: encostou em água fria. Copo quente, rachou como se triste; toda aquela areia, sódio e cálcio, todo o calor da feitura, todo o calor para qual sua existência fora planejada, tudo em vão ali ao toque do frio. Preferiu partir, ó mundo hostil.
O segundo na terça; frio estava, mármore. Fez-se solto o fundo como se uno nunca fosse; vidro da resistência enfim livre. Corpo são, fundo cirurgicamente solto. A unidade nunca existiu.
O terceiro na quinta; caiu do altar dos copos expostos ao tempo. Sonoramente espatifado, escondeu-se nos cantos para dificultar a partida.
O segundo na terça; frio estava, mármore. Fez-se solto o fundo como se uno nunca fosse; vidro da resistência enfim livre. Corpo são, fundo cirurgicamente solto. A unidade nunca existiu.
O terceiro na quinta; caiu do altar dos copos expostos ao tempo. Sonoramente espatifado, escondeu-se nos cantos para dificultar a partida.
- Fica aí, filho, preciso limpar isso primeiro.
Verdes olhos atentos ao escândalo da transparência quebrada. Imóvel:
- Ali, mamãe, o vidro!
- Ali, mamãe, o vidro!
Pai, o meu, diz que vidro quebrado é a visualização do belo e do maldito.
Bela a partida - abre espaço para o novo.
Maldita a partida - nem sempre esperada, muitas vezes chorada e doída, sempre força a gente a alguma coisa.
Bela a partida - abre espaço para o novo.
Maldita a partida - nem sempre esperada, muitas vezes chorada e doída, sempre força a gente a alguma coisa.
A gente sempre tem que limpar os cacos do que fica.
E hoje já é quinta.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Da bola:
Apreciando um caminhão de lixo do portão.
Ele, Daniel, a empolgação em forma de criança; ouviu o caminhão e os gritos dos lixeiros e correu. Vidrado no caminhão que barulhento funcionava do outro lado da rua.
Do complexo esportivo, duas caçambas cheias de sacos pretos.
Entre gritos e piadas dos lixeiros, os sacos eram retirados e jogados pra dentro do maquinário infernal que esmaga o que achamos que é fora.
Do complexo esportivo, duas caçambas cheias de sacos pretos.
Entre gritos e piadas dos lixeiros, os sacos eram retirados e jogados pra dentro do maquinário infernal que esmaga o que achamos que é fora.
Ele, Daniel, vidrado.
Ele, Daniel, a empolgação em forma de criança.
Ele, Daniel, a empolgação em forma de criança.
O maquinário infernal esmagando o não fora.
Eis que surge uma bola. Bola boa, dessas de clube, de jogar bem jogado.
Eles, os lixeiros, entre gritos e piadas, sacos de lixo e buzinas de carros, tocavam bola.
O maquinário.
Esmagando.
O maquinário.
Esmagando.
Terminado o processo, um dos lixeiros segue em direção a nós com a bola em mãos.
- Moça, tó pro moleque, todo moleque joga bola, só tá vazia, leva no posto que enchem.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa a bola estava pra dentro do meu portão.
Ele, Daniel, vidrado, bola em mãos, hipnotizado com o caminhão.
Eu, perplexa, grata pelo gesto - mas com temor confesso da aproximação repentina. Já havia sido proferida frase agressiva daquele mesmo aparelho fonador. Frase pra mim, frase pra outras mulheres na rua.
De repente, a rua da amargura.
Quando o caminhão de lixo passa eu tranco a porta.
Ninguém entra, ninguém sai.
Ninguém entra, ninguém sai.
- Com uma mãe dessa eu não sei o que faria - e risos.
Eu? Silêncio e vergonha.
Não dou bola.
Ganhei uma.
Ganhei uma.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
terça-feira, 21 de junho de 2016
aquele headstand
De baque solto, em pleno frio junino, fui ter com Jorge no último sábado.
O Mautner.
O Mautner.
Cheguei a ele no ensino médio. Figurão, andava cos cara que eu admirava na música.
- Quem me dera saber poetizar assim; acho que só com muitos anos de muita parada dura é possível chegar a esse nível de inspiração.
(pensava eu)
(pensava eu)
E Jorge confirmou o que eu senti a vida toda: a música e a poesia são os grandes pés da cultura.
Não entendo de cordas e sopros - arrisco nos tambores. A alfaia é um grande amor, a dança que vem junto é um grande amor, o maracatu de baque solto que vem junto é um grande amor.
Na minha poesia há risco.
Não entendo de cordas e sopros - arrisco nos tambores. A alfaia é um grande amor, a dança que vem junto é um grande amor, o maracatu de baque solto que vem junto é um grande amor.
Na minha poesia há risco.
Um, um, um.
De um em um, vou-me.
Enchendo de amor.
Abstrata fala - Jorge me contava tudo.
Aquele espaço todo daria uma boa aula de yoga - digredi. Aquela luz...
Voltei - ele falava de Gil e Caetano.
Aquele espaço todo daria uma boa aula de yoga - digredi. Aquela luz...
Voltei - ele falava de Gil e Caetano.
O seu amor, ame-o e deixe-o ser o que ele é - eu ouvia.
Aquele headstand sobre os cotovelos, hoje eu faço, hoje não há dor - ele falava sobre o nióbio no país.
A emoção é um tipo de inteligência. Toda fala carregada de emoção é o emanar da inteligência, Jorge me disse.
Tem razão.
Aquele headstand, saiu só.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Corujando #1
Daniel dançou hoje na escola.
Saído de mim há 2 anos e 5 meses, dançou.
Pra ninguém e só pra mim.
Pra ninguém e só pra mim.
Eu transbordei. Não pela dança, não pela fofura [sim <3 ], não pela autonomia e talento [corujando nível hard] - transbordei pelo que a dança significa. Pra mim, a princípio - e pra ele, agora vejo.
Sei lá se dançarino será.
Mas eu sou dançarina. Ainda bem.
Mas eu sou dançarina. Ainda bem.
A dança dele foi muito mais sobre mim do que sobre ele.
De caminhos retomados lentamente e das visões de luzes que piscam, gritam e avisam (viva a Plebe Rude!), eu vejo que o amor de pouco mais de um metro que hoje dança fora e longe de mim deixou n'alma minha uma pista d'um tanto que eu jamais pensei entender: uma alma com corpo, não o contrário.
Da melhor mulher que posso ser - da melhor mãe que posso ser - do melhor caminho que acredito trilhar - repito: meu filho dançou hoje na escola.
E eu dancei pro universo.
(da Plebe: https://www.youtube.com/watch?v=HMF-HoDzgAU)
domingo, 12 de junho de 2016
marinheira só
Dia desses me disseram que eu tinha cara de quem tava sempre de passagem. Cara de quem não é daqui e nem de lugar nenhum. Fiquei meio na bad porque né, marinheira só, nem de São-Salvador sou.
Passou.
Passou.
Hoje eu esqueci minha carteira em algum lugar.
Fui à padaria perto de casa pra ver se ela jazia por lá. Nada.
Fui à padaria perto de casa pra ver se ela jazia por lá. Nada.
- Moça, esqueceram essa carteira aqui hoje perto da hora do almoço, vê se não é a sua.
Não era.
Não era.
Fiquei quebrando a cabeça e não sei (a)onde ela pode ter ficado.
Enfim, not a big deal. Documentos todos, dinheiro pouco. Uns patuás - esses são os que mais me doem.
Saí perguntando pelo paradeiro da bendita. Ninguém que soubesse. E houve desespero pela possível perda - desespero não meu, e sim de outros. Calma, um punhado de papel com números. Me farão perder um tanto de tempo na providência de outros, apenas.
Ouvi de novo hoje que não sou daqui.
E me deu um tanto de medo, um tanto de felicidade.
Mas tudo bem,
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo.
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo.
#randômica
Randomizando forte:
No Sesc São Carlos tem um parquinho muito do legal. Somos, Daniel e eu, assíduos frequentadores. O nome do lugar é Horizonte. Acho bárbaro dizer que ~fomos ao Horizonte~; daora pensar que de fato estivemos em um lugar que é só o que se vê, nunca se alcança. Graças aos nomes próprios conseguimos essa proeza com certa frequência.
Areia no Horizonte - brinquedos de areia e carrinhos; muitas crianças chegaram junto pra brincar. Aquele lance, partilha, não partilha, todo mundo senta junto, a malemolência em lidar com as mães do parquinho (ouvi de tudo: que menino não usa colar; que criança quebra a perna se sentar em W; que menino de calça florida é lindo - mas o filho dos outros, claro and so it goes).
Ana Clara, linda, uns 3 anos, chuto eu.
- Tia, sabia que na minha casa eu também tenho um baldinho de areia?
- Ah é? E que cor é o seu baldinho?
- É azul com uma pá rosa, igual essa daqui (mostra uma pazinha cinza), só que é rosa.
- Que legal! E você já brincou com seu baldinho azul aqui?
- Já, eu vim com o Jean amanhã! (pirei na fala) Você conhece o Jean?
- Não, não conheço, quem é?
- É o namorado da minha mãe, ele me deu um baldinho azul porque me falou que as cores são de todo mundo!
- Tia, sabia que na minha casa eu também tenho um baldinho de areia?
- Ah é? E que cor é o seu baldinho?
- É azul com uma pá rosa, igual essa daqui (mostra uma pazinha cinza), só que é rosa.
- Que legal! E você já brincou com seu baldinho azul aqui?
- Já, eu vim com o Jean amanhã! (pirei na fala) Você conhece o Jean?
- Não, não conheço, quem é?
- É o namorado da minha mãe, ele me deu um baldinho azul porque me falou que as cores são de todo mundo!
Ponto pro Jean.
Mais de uma hora de Horizonte, pós-graduada em relacionamento com as mães do parquinho; hora de comer.
Comemos. Era também hora do início de um espetáculo que eu programava para a tarde, mas o cansaço toddlereano não permitiu que participássemos - do cansaço, dos terrible-fucking-two, da fala super afiada e do desenvolvimento cognitivo brutal saiu um chilique das galáxias. Um chilicão mesmo. Daqueles. De gritos e dizeres contraditórios:
Comemos. Era também hora do início de um espetáculo que eu programava para a tarde, mas o cansaço toddlereano não permitiu que participássemos - do cansaço, dos terrible-fucking-two, da fala super afiada e do desenvolvimento cognitivo brutal saiu um chilique das galáxias. Um chilicão mesmo. Daqueles. De gritos e dizeres contraditórios:
(gritando, vermelho, afônico)
- EU QUERO ÁGUA!!!!!!!!!!!!!!111111111111111111
(toda trabalhada no silêncio e presença ativa, estendo a garrafa)
- NÃO QUERO ÁGUA!!!!!!!!!!!!!11111111111111111
(guardo a garrafa)
- EU QUERO ÁGUAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!1111111111111111111
(pego de volta a garrafa, estendo como oferta)
- NÃO QUERO ÁGUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111111111111111111
(respira, conta, ignora a plateia ao redor)
- Daniel, nós vamos para casa. Estamos cansados, então vamos embora. Sua garrafa está aqui se quiser. (botei o menino no carrinho, apertei o cinto e #partiucasa - moleque chilicando ultra)
- EU QUERO ÁGUA!!!!!!!!!!!!!!111111111111111111
(toda trabalhada no silêncio e presença ativa, estendo a garrafa)
- NÃO QUERO ÁGUA!!!!!!!!!!!!!11111111111111111
(guardo a garrafa)
- EU QUERO ÁGUAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!1111111111111111111
(pego de volta a garrafa, estendo como oferta)
- NÃO QUERO ÁGUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111111111111111111
(respira, conta, ignora a plateia ao redor)
- Daniel, nós vamos para casa. Estamos cansados, então vamos embora. Sua garrafa está aqui se quiser. (botei o menino no carrinho, apertei o cinto e #partiucasa - moleque chilicando ultra)
No meio do caminho surge uma pessoa aleatória fazendo micagem pro menino parar de esgoelar. Ele ficou (mais) irritado, esgoelou mais ainda.
- NOOOOOOOOOOOOOOO!!! GO AWAY!!!!!!!!!!!!!!!!1111 (ele grita desconsolado)
- NOOOOOOOOOOOOOOO!!! GO AWAY!!!!!!!!!!!!!!!!1111 (ele grita desconsolado)
Eu me desvencilhei da pessoa. Simplesmente saí, usei minhas habilidades de need for speed e parti, muito indignada com esse tipo de abordagem.
Se você leu até aqui, um pedido: essa pessoa, não seja ela. Se vc viu/tá vendo alguém com uma criança que tá no meio da crise, A MENOS QUE SEJA SOLICITADO, não se meta no lance. Sério, estressa muito mais todo mundo - além de fazer com que o provável fracasso seja muito frustrante pra você.
Eu bufando, Daniel se afogando em lágrimas que ele nem tinha mais. 100 metros depois ele dormiu. Apagou. Capotado, só acordou em casa, cerca de 40 minutos depois (calmíssimo, sereno, tranquilo, yogue nato, adorador de gatos).
Ainda fico aqui pensando no Horizonte, no Jean com o discurso de cores, na cognitividade que surta crianças e mães/pais/cuidadores.
Domingo tem mais.
do abacateiro
Bem que eu percebi que a poda estava sendo feita de qualquer jeito.
Largada.
Coitado dele - o vizinho abacateiro; jovem, frutífero, frondoso e barulhento. Abrigo de gatos e passarinhos.
Largada.
Coitado dele - o vizinho abacateiro; jovem, frutífero, frondoso e barulhento. Abrigo de gatos e passarinhos.
Coitado dele.
A casa vizinha está para alugar; depois de certos dramas, a casa entrou em reforma. Há semanas o lugar vem sendo mexido (telhas, portas, janelas, movimento, medições, uma enorme caçamba quase no meu portão).
E o abacateiro impassível de folhas, pingando frutas maduras.
Não gosto de abacate.
Mas gosto de abacateiros.
Não gosto de abacate.
Mas gosto de abacateiros.
O corte começou.
- Tira aquele galho lá senão vai cair coisa aqui, a gente acabou de trocar esse lance de telhas.
- Tira aquele galho lá senão vai cair coisa aqui, a gente acabou de trocar esse lance de telhas.
(facadas)
Isso já faz mais de uma semana.
Hoje acordei com um despertador orgânico de 1 metro de altura dizendo:
- Mamãe, tá barulho!
- Mamãe, tá barulho!
Facadas e facadas, uma corda, farfalhar, a violência do fruto que cai antes da hora.
- Moço, vc vai tirar a árvore toda?
- Cada abacate que cai é uma telha que quebra, dona! Mandaram, a gente faz. ( = domingo, 7h, não enche meu saco, moça, me pagaram pra estar aqui - o pensamento dele gritava.)
Saí.
Voltei.
O vizinho abacateiro se foi.
Não sem deixar evidentes sinais de sua luta: folhas pelo chão e um bom pedaço de raiz exposta. Ele brigou feio. Ele deu trabalho.
Não sem deixar evidentes sinais de sua luta: folhas pelo chão e um bom pedaço de raiz exposta. Ele brigou feio. Ele deu trabalho.
Bad trip do abacateiro.
Podia ter sido diferente.
Juventude (Czeslaw Milosz)
_Juventude_
Sua juventude infeliz e tola.
Sua chegada das províncias na cidade.
Os vidros dos bondes embaçados,
A miséria inquieta da multidão.
Seu terror quando você entra num lugar caro demais.
Mas tudo era caro demais. Alto demais.
Aquelas pessoas devem ter notado seus modos rudes,
Suas roupas antiquadas, e seu embaraço.
Sua chegada das províncias na cidade.
Os vidros dos bondes embaçados,
A miséria inquieta da multidão.
Seu terror quando você entra num lugar caro demais.
Mas tudo era caro demais. Alto demais.
Aquelas pessoas devem ter notado seus modos rudes,
Suas roupas antiquadas, e seu embaraço.
Não havia ninguém que ficasse ao seu lado e dissesse,
Você é um rapaz simpático,
Você é forte e sadio,
Suas desgraças são imaginárias.
Você é forte e sadio,
Suas desgraças são imaginárias.
Você não teria invejado o tenor num sobretudo de pêlo de camelo
Se imaginasse o seu medo e soubesse que ele iria morrer.
Se imaginasse o seu medo e soubesse que ele iria morrer.
Ela, a ruiva, por quem você sofre torturas,
Tão linda ela lhe parece, é uma boneca em fogo.
Você não entende o que ela grita com seus lábios de palhaço.
Tão linda ela lhe parece, é uma boneca em fogo.
Você não entende o que ela grita com seus lábios de palhaço.
Os formatos dos chapéus, os cortes das roupas, rostos nos espelhos,
Você lembrará tudo isso vagamente, como algo de um passado distante,
Você lembrará tudo isso vagamente, como algo de um passado distante,
Ou como aquilo que resta de um sonho.
A casa a qual você se aproxima tremendo,
O apartamento que o deslumbra –
Veja, nesse lugar os grous vasculham o cascalho.
O apartamento que o deslumbra –
Veja, nesse lugar os grous vasculham o cascalho.
Quando chegar a sua vez você terá, possuirá, guardará,
E finalmente sentir-se-á orgulhoso, quando não há nenhum motivo.
E finalmente sentir-se-á orgulhoso, quando não há nenhum motivo.
Seus desejos serão realizados, e então você ficará boquiaberto
Com a essência do tempo, tecida de fumaça e nevoeiro,
Com a essência do tempo, tecida de fumaça e nevoeiro,
Um tecido iridescente de vidas que duram um dia,
Que se erguem e tombam como um mar inalterável.
Que se erguem e tombam como um mar inalterável.
Os livros que leu não terão mais utilidade.
Você procurou uma resposta mas viveu sem resposta.
Você procurou uma resposta mas viveu sem resposta.
Você caminhará pelas ruas das cidades do sul,
De volta às suas origens, admirando mais uma vez, extasiado,
A brancura de um jardim após a primeira noite de neve.
De volta às suas origens, admirando mais uma vez, extasiado,
A brancura de um jardim após a primeira noite de neve.
Czeslaw Milosz
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