domingo, 12 de junho de 2016

Randomizando forte:

No Sesc São Carlos tem um parquinho muito do legal. Somos, Daniel e eu, assíduos frequentadores. O nome do lugar é Horizonte. Acho bárbaro dizer que ~fomos ao Horizonte~; daora pensar que de fato estivemos em um lugar que é só o que se vê, nunca se alcança. Graças aos nomes próprios conseguimos essa proeza com certa frequência.
Areia no Horizonte - brinquedos de areia e carrinhos; muitas crianças chegaram junto pra brincar. Aquele lance, partilha, não partilha, todo mundo senta junto, a malemolência em lidar com as mães do parquinho (ouvi de tudo: que menino não usa colar; que criança quebra a perna se sentar em W; que menino de calça florida é lindo - mas o filho dos outros, claro and so it goes).
Ana Clara, linda, uns 3 anos, chuto eu.
- Tia, sabia que na minha casa eu também tenho um baldinho de areia?
- Ah é? E que cor é o seu baldinho?
- É azul com uma pá rosa, igual essa daqui (mostra uma pazinha cinza), só que é rosa.
- Que legal! E você já brincou com seu baldinho azul aqui?
- Já, eu vim com o Jean amanhã! (pirei na fala) Você conhece o Jean?
- Não, não conheço, quem é?
- É o namorado da minha mãe, ele me deu um baldinho azul porque me falou que as cores são de todo mundo!
Ponto pro Jean.
Mais de uma hora de Horizonte, pós-graduada em relacionamento com as mães do parquinho; hora de comer.
Comemos. Era também hora do início de um espetáculo que eu programava para a tarde, mas o cansaço toddlereano não permitiu que participássemos - do cansaço, dos terrible-fucking-two, da fala super afiada e do desenvolvimento cognitivo brutal saiu um chilique das galáxias. Um chilicão mesmo. Daqueles. De gritos e dizeres contraditórios:
(gritando, vermelho, afônico)
- EU QUERO ÁGUA!!!!!!!!!!!!!!111111111111111111
(toda trabalhada no silêncio e presença ativa, estendo a garrafa)
- NÃO QUERO ÁGUA!!!!!!!!!!!!!11111111111111111
(guardo a garrafa)
- EU QUERO ÁGUAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!1111111111111111111
(pego de volta a garrafa, estendo como oferta)
- NÃO QUERO ÁGUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111111111111111111
(respira, conta, ignora a plateia ao redor)
- Daniel, nós vamos para casa. Estamos cansados, então vamos embora. Sua garrafa está aqui se quiser. (botei o menino no carrinho, apertei o cinto e ‪#‎partiucasa‬ - moleque chilicando ultra)
No meio do caminho surge uma pessoa aleatória fazendo micagem pro menino parar de esgoelar. Ele ficou (mais) irritado, esgoelou mais ainda.
- NOOOOOOOOOOOOOOO!!! GO AWAY!!!!!!!!!!!!!!!!1111 (ele grita desconsolado)
Eu me desvencilhei da pessoa. Simplesmente saí, usei minhas habilidades de need for speed e parti, muito indignada com esse tipo de abordagem.
Se você leu até aqui, um pedido: essa pessoa, não seja ela. Se vc viu/tá vendo alguém com uma criança que tá no meio da crise, A MENOS QUE SEJA SOLICITADO, não se meta no lance. Sério, estressa muito mais todo mundo - além de fazer com que o provável fracasso seja muito frustrante pra você.
Eu bufando, Daniel se afogando em lágrimas que ele nem tinha mais. 100 metros depois ele dormiu. Apagou. Capotado, só acordou em casa, cerca de 40 minutos depois (calmíssimo, sereno, tranquilo, yogue nato, adorador de gatos).
Ainda fico aqui pensando no Horizonte, no Jean com o discurso de cores, na cognitividade que surta crianças e mães/pais/cuidadores.
Domingo tem mais.

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