Dia desses me disseram que eu tinha cara de quem tava sempre de passagem. Cara de quem não é daqui e nem de lugar nenhum. Fiquei meio na bad porque né, marinheira só, nem de São-Salvador sou.
Passou.
Passou.
Hoje eu esqueci minha carteira em algum lugar.
Fui à padaria perto de casa pra ver se ela jazia por lá. Nada.
Fui à padaria perto de casa pra ver se ela jazia por lá. Nada.
- Moça, esqueceram essa carteira aqui hoje perto da hora do almoço, vê se não é a sua.
Não era.
Não era.
Fiquei quebrando a cabeça e não sei (a)onde ela pode ter ficado.
Enfim, not a big deal. Documentos todos, dinheiro pouco. Uns patuás - esses são os que mais me doem.
Saí perguntando pelo paradeiro da bendita. Ninguém que soubesse. E houve desespero pela possível perda - desespero não meu, e sim de outros. Calma, um punhado de papel com números. Me farão perder um tanto de tempo na providência de outros, apenas.
Ouvi de novo hoje que não sou daqui.
E me deu um tanto de medo, um tanto de felicidade.
Mas tudo bem,
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo.
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo.
#randômica
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