Bem que eu percebi que a poda estava sendo feita de qualquer jeito.
Largada.
Coitado dele - o vizinho abacateiro; jovem, frutífero, frondoso e barulhento. Abrigo de gatos e passarinhos.
Largada.
Coitado dele - o vizinho abacateiro; jovem, frutífero, frondoso e barulhento. Abrigo de gatos e passarinhos.
Coitado dele.
A casa vizinha está para alugar; depois de certos dramas, a casa entrou em reforma. Há semanas o lugar vem sendo mexido (telhas, portas, janelas, movimento, medições, uma enorme caçamba quase no meu portão).
E o abacateiro impassível de folhas, pingando frutas maduras.
Não gosto de abacate.
Mas gosto de abacateiros.
Não gosto de abacate.
Mas gosto de abacateiros.
O corte começou.
- Tira aquele galho lá senão vai cair coisa aqui, a gente acabou de trocar esse lance de telhas.
- Tira aquele galho lá senão vai cair coisa aqui, a gente acabou de trocar esse lance de telhas.
(facadas)
Isso já faz mais de uma semana.
Hoje acordei com um despertador orgânico de 1 metro de altura dizendo:
- Mamãe, tá barulho!
- Mamãe, tá barulho!
Facadas e facadas, uma corda, farfalhar, a violência do fruto que cai antes da hora.
- Moço, vc vai tirar a árvore toda?
- Cada abacate que cai é uma telha que quebra, dona! Mandaram, a gente faz. ( = domingo, 7h, não enche meu saco, moça, me pagaram pra estar aqui - o pensamento dele gritava.)
Saí.
Voltei.
O vizinho abacateiro se foi.
Não sem deixar evidentes sinais de sua luta: folhas pelo chão e um bom pedaço de raiz exposta. Ele brigou feio. Ele deu trabalho.
Não sem deixar evidentes sinais de sua luta: folhas pelo chão e um bom pedaço de raiz exposta. Ele brigou feio. Ele deu trabalho.
Bad trip do abacateiro.
Podia ter sido diferente.
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